A recuperação do covid-19 pode não terminar na alta hospitalar

Cansaço, fraqueza muscular, falta de ar, dor no corpo, alteração do sono, ansiedade, depressão e cansaço mental são sintomas citados com frequência por pacientes curados do vírus, mesmo acometidos com sintomas leves durante a doença.

A literatura médica já reconhece o pós-COVID como uma condição clínica. “São manifestações clínicas que o paciente, depois de se recuperar, ainda vai experimentar por alguns meses”. Ou seja, o COVID-19 não termina quando o vírus fica inativo, ele pode deixar sequelas comprometendo vários órgãos e sistemas.

Cada um dos sistemas afetados exige uma atenção diferente após o paciente se recuperar da fase aguda do vírus. A ciência ainda não mapeou todas as sequelas da COVID-19, o tempo em que estes problemas podem ocorrer ainda estão sendo estudados. Em alguns pacientes os sintomas são percebidos de 15 a 20 dias após a fase aguda, principalmente nos casos que precisaram de internação e cuidados intensivos, em outros casos, até seis meses depois as intercorrências podem persistir e estão relacionadas ao impacto do corona vírus no organismo.

A COVID-19, causada pelo coronavírus é uma doença que afeta primariamente o SISTEMA RESPIRATORIO dos pacientes infectados. Quando o vírus atinge os alvéolos ele começa a sua replicação, utilizando as células dessa parte do pulmão. Ao fim do processo replicação, a célula é destruída, liberando mais unidades do vírus no organismo, infectando mais células e causando danos a todo o órgão. Todo esse processo gera uma inflamação, que faz com que o organismo ative células do sistema imunológico como linfócitos, monócitos, leucócitos e macrófagos para o combater ao agente patogênico (o vírus). Essas células imunológicas atuam liberando uma proteína chamada citocina, que é responsável por controlar as atividades imunes desse conjunto de células. Quanto mais células de defesa chegam ao lugar para atacar o vírus, mais citocina elas liberam, ocasionando eventualmente uma resposta inflamatória muito grande. Todo esse processo é chamado de tempestade de citocina (hipercitocinemia). O tecido inflamado apresenta inchaço e grande quantidade de células do sistema imunológico. Nos alvéolos, isso interfere diretamente no processo de hematose (troca gasosas) diminuindo a quantidade de oxigênio na corrente sanguínea para ser carreado até as demais células de todos os outros sistemas do corpo.

Todas essas complicações podem gerar uma pneumonia que causa comprometimento do trato respiratório apresentando: Dispneia, que consistem na dificuldade de respirar causando a sensação de falta de ar e aperto nos pulmões; Hipoxemia, que é o termo técnico para a falta de oxigenação necessária para o pleno funcionamento nos demais órgãos e tecidos do corpo; Insuficiência respiratória; Insuficiência e parada de múltiplos órgãos.

Os sintomas de esquecimento, déficit de atenção e de memória estão entre as sequelas da COVID-19 no sistema neurológico. O corona vírus atravessa o SISTEMA NERVOSO provocando deficiência como uma encefalite viral, e pode provocar processos desmielinizastes, como a Síndrome de Guillain-Barré, condição na qual o sistema imunológico atinge os nervos periféricos e os ataca, acarretando formigamentos, dificuldade motora e perda de força dos membros de forma ascendente.

No caso do sistema circulatório, a COVID-19 afeta a coagulação sanguínea, formando tromboses, o que pode resultar em infarto e AVC (acidente vascular cerebral), estudos feitos mostram que as complicações cardiovasculares relacionadas ao Corona vírus aparecem mesmo nos quadros mais leves. A infecção pode ser um fator que piora uma doença cardíaca pré-existente, mas também pode ser o gatilho para o surgimento de uma nova enfermidade como acontece em cerca de 12% dos pacientes.

No SISTEMA MUSCULOESQUELÉTICO os sintomas mais referidos são dores nas articulações, dor muscular e fraqueza generalizada, ou em membros inferiores e tronco, além da perda de massa muscular. São possíveis alterações subsequentes da polineuropatia e a miopatia do paciente crítico. Podem ser decorrentes da imobilidade prolongada, incluindo descondicionamento cardiorrespiratório, instabilidade postural, encurtamento muscular, contraturas (miogênicas, neurogênicas, artrogênicas) e úlceras por pressão.

Em todos os casos a atividade física é uma ótima aliada para a recuperação, tanto de pacientes que ficaram hospitalizados em casos graves, quanto em pacientes que puderam realizar o tratamento em casa. A atividade física diminui o estresse, melhora a autoestima, a capacidade cardiorrespiratória, a força muscular e a coordenação, previne a fragilidade, a sarcopenia (perda da massa muscular) e a dinapenia(perda de força), além de minimizar o risco de quedas e o declínio cognitivo em idosos. O monitoramento de exercícios, as orientações posturais e funcionais, bem como o alerta aos pacientes com doenças crônicas sobre o respeito aos princípios de conservação de energia, podem ser recursos fundamentais para evitar a eclosão de um estado de crise desses pacientes, bem como o surgimento de sintomas antes não apresentados. Nesse sentido, os profissionais de reabilitação/prevenção têm um papel fundamental no período de pós COVID-19 como também no período de isolamento social, ajudando a otimizar a independência funcional e melhorar a qualidade de vida, além de facilitarem uma posterior reintegração comunitária.

Recomendamos antes de iniciar qualquer atividade que o paciente passe por uma avaliação médica e após esta liberação procure por profissionais atualizados no assunto, principalmente em casos pós COVID- 19.

Aqui no Espaço ERA antes de iniciarmos os exercícios cada aluno/paciente passa por uma avaliação e conforme a individualidade de cada um, orientamos qual será a modalidade mais benéfica (Pilates, funcional ou fisioterapia) também indicamos se o aluno/paciente pode realizar aulas em grupos pequenos 3 ou 4 pessoas ou se é necessário atendimento individual.

Indicamos que as atividades devem ser iniciadas ou retomadas de forma gradativa, além disso, respeitar a individualidade de cada paciente, não esquecer as possíveis fisiopatologias de cada sistema e nos atentarmos ao fato de que não podemos exagerar na carga de exercício, pois os alunos/pacientes já estão fadigados, debilitados, com uma desordem fisiopatológica, da qual eles precisam se recuperar aos poucos. Também aconselhamos a realização das atividades físicas com monitoramento da oxigenação, frequência respiratória e cardíaca.

A reavaliação médica e a reavaliação realizada no ambiente escolhido para sua recuperação é de fundamental importância, já que é a partir das informações colhidas nestas reavaliações que o paciente/aluno poderá evoluir e progredir as suas atividades de forma segura.

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