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Cuidados do Pilates e Treinamento Funcional na Esclerose Múltipla.



Nessa matéria vamos falar sobre a esclerose múltipla (EM) e como podemos trabalhar com esse diagnóstico e seus sinais e sintomas utilizando os recursos do Pilates. Talvez você não saiba muito a respeito da EM, e pense que o ideal é o repouso livre de atividade física. Mas, isso é um engano e diferente desse pensamento vemos no dia-a-dia do Espaço ERA que a atividade física é benéfica, ajudando no controle dos surtos apresentados pelo portador da EM e também melhorando sua independência nas atividades de vida diárias. Os mesmos objetivos e cuidados utilizados no Pilates, podem ser levados para o Treinamento Funcional.

A esclerose múltipla (EM) é uma doença crônica que compromete o sistema nervoso central (SNC), onde as células imunológicas invertem seu papel: ao invés de protegerem o sistema de defesa do indivíduo, passam a agredi-lo, produzindo inflamações. As inflamações afetam particularmente a bainha de mielina – uma capa protetora que reveste os prolongamentos dos neurônios, denominados axônios, responsáveis por conduzir os impulsos elétricos do sistema nervoso central para o corpo e vice-versa. Com a mielina e os neurônios lesionados pelas inflamações, as funções coordenadas pelo cérebro, cerebelo, tronco encefálico e medula espinhal ficam comprometidas. Desta forma surgem os sintomas típicos da doença, como alterações na visão, na sensibilidade do corpo, no equilíbrio, na força muscular dos membros e, consequentemente, na mobilidade e locomoção.

A doença se manifesta em surtos e para ser considerado um novo surto é necessário que ocorra um intervalo mínimo de 30 dias entre eles, caso contrário considera-se o sintoma “dentro” do mesmo surto em andamento. O quadro clínico de cada surto pode variar, há pacientes que têm surtos espaçados e discretos, enquanto outros podem apresentar surtos mais intensos que podem trazer novos danos ou intensificar os que já apresentavam.

  • Os sintomas mais comuns apresentados são:

  • • Sensitivas: parestesias (dormências ou formigamentos); nevralgia do trigêmeo (dor ou queimação na face).
  • • Visuais: neurite óptica (visão borrada, mancha escura no centro da visão de um olho – escotoma – embaçamento ou perda visual), diplopia (visão dupla).
  • • Esfincterianas: dificuldade de controle da bexiga (retenção ou perda de urina) ou intestino.
  • • Fadiga: fraqueza ou cansaço.
  • • Motoras: perda da força muscular, dificuldade para andar, espasmos e rigidez muscular (espasticidade).
  • • Ataxia: falta de coordenação dos movimentos ou para andar, tonturas e desequilíbrios.
  • • Cognitivas: problemas de memória, de atenção, do processamento de informações (lentificação).
  • • Mentais: alterações de humor, depressão e ansiedade

Aqui no Espaço ERA temos algumas experiências de alunos com EM que escolheram o Pilates como uma proposta reabilitadora, estamos felizes com os resultados positivos que nossos alunos vêm apresentando.

O Pilates baseia-se em exercícios de flexibilidade, mobilidade e força muscular que reorganiza o centro de força, chamado Power house. Este é formado pela musculatura do abdômen, quadril e lombar, melhorando a estabilidade de tronco e consequentemente a funcionalidade de todos os membros. É uma ótima forma de reeducar a mecânica de funcionamento do membro afetado após os surtos. Além disso, também desenvolve a melhora da consciência corporal e do equilíbrio estático e dinâmico trazendo melhoras na marcha e em outras atividades de vida diária.

O método segue alguns princípios: Concentração, Controle, Respiração, Precisão e Fluidez de movimento. Em todos estes princípios reside uma base comum: a especificidade de cada ser humano numa dimensão biopsicosocial, isto é, a capacidade desta modalidade em se adaptar e se direcionar às diferentes características de cada praticante, o que é importantíssimo para o paciente com esclerose múltipla, já que a patologia apresenta uma série de condições especiais que o Fisioterapeuta ou o Profissional de educação física tem a obrigação de dominar. Um ótimo exemplo e uma das coisas que consideramos essencial é em relação ao aumento da temperatura, o calor diminui a condução nervosa que prejudica a evolução podendo acentuar os danos proporcionados pelos surtos ou até mesmo desencadear novos surtos. Vale lembrar quando se fala de aumento da temperatura, não estamos falando apenas da temperatura externa como o calor que faz na rua, dentro de casa ou dentro do estúdio, mas também do aumento da temperatura corporal. Este, pode ser provocado por alguns fatores como a febre, piscinas aquecidas, utilização de alguns medicamentos para a o controle da EM (neste caso o calor tende a melhorar com o tempo e com a tolerância da pessoa ao remédio) e a atividade física intensa.

Portanto, ao pensar no programa de exercício para esses alunos, tanto no Pilates, quanto no Treinamento Funcional, devemos tomar alguns cuidados como: iniciar com menos intensidade e respeitar o tempo de descanso entre um exercício e outro, para não levar o aluno à fadiga muscular e ao aumento da temperatura. É preciso sempre concentrar na qualidade e não na quantidade. O Controle da temperatura da sala também pode favorecer o seu treino e ajudar o aluno.